A Mira e o Alvo, de Araquém Alcântara

O verdadeiro fotógrafo da natureza, como de resto qualquer fotógrafo, deve escolher o caminho com o coração e nele viajar incansavelmente, contemplando como pessoa inteira tudo o que é vivo. Absolutamente íntegro, sem propósito a alcançar, sem submissão a regras e fórmulas, sem necessidade de parecer brilhante ou original. Só assim, autêntico e livre, pode captar o espírito criador em movimento e criar coisas belas.

Aquele que mergulha na viagem do ver, tem que estar sempre com as portas da percepção abertas. Sabe que diante do eterno, precisa esquecer de si próprio. A criação é o que importa, gesto fundamental, caminho de conhecimento, poderosa arma de encontrar o mundo.

O ato criativo é contínuo e sem fim.  A prática sempre renovada de contemplar humaniza a visão, anula verdades, permite a inventividade, realça o eu interior.

A recompensa é a experimentação mística do encontro com a beleza. O fotógrafo sente, neste momento fugaz, algo parecido com o “satori” hindu, um momento de revelação, um indefinido e maravilhoso prazer.

Nesta respeitosa relação consigo mesmo, o fotógrafo cria algo de original e significativo, com espontaneidade e fluência. O observador se confunde com a coisa observada, o vazio se instaura. O que estava contido volta a pulsar, o que antes era pressentimento agora é realização. A pureza do seu diálogo lhe diz que na verdade, por mais fotos que faça, por mais poeira que tire dos olhos, continuará andando solitário com sua câmera. Mas, ele também sabe que está aprendendo outra arte bem maior: a arte de não ser coisa alguma, de não ser mais que o nada, de dissolver-se a si próprio no vazio entre o céu e a terra.

Araquém Alcântara

– X – X –

The Aim and The Target, by Araquém Alcântara

The true nature photographer, as any other photographer, must choose his path with his heart, and in it, travel restlessly, contemplating as a whole person, everything that is alive. With absolute integrity, without need to accomplish, without the use of rules or formulas, without the need to be seen as brilliant or original. Only this way, true to himself and free, can capture the spirit of creation in move and create beautifull things.

That who dives in the travel of the observation, must keep the doors of perception always open. Knows that in front of the eternity, must forget of himself. The creation is what matters, fudamental gesture, path of knowledge, powerfull weapon to find the world.

The act of creation is endless and continuum. The renewed practise of observation humanize the sight, negate truths, allow inventivity, enhance the inner self.

The reward is the mistic experience of find beauty. The photographer feels, in that fleeting moment, something similar to the Hindu “satori”, a moment of revelation, an undefined and wonderful pleasure.

In this respectful relationship with himself, the photographer creates something original and meaningful, with spontaneity and fluency. The observer merges with the thing that is observed, the emptiness is stablished. What is contained throbs again, what before was a feeling now is reality. The purity of the dialogue tells him that in truth, no matter how many pictures he takes, no matter how many times he cleans the dust from his eyes, will carry on alone with his camera. But he also knows that is learning a greatest art: the art of being nothing, of being no more than the nought, of dissolves himself in the emptiness between earth and sky.

Araquém Alcântara

Translation: Carlos Alexandre Pereira

Anúncios

DEIXE UM COMENTARIO - LEAVE A REPLAY

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s