O Olho Humano

Este post pode parecer meio deslocado em um blog sobre fotografia, mas acontece que tenho pesquisado bastante sobre o funcionamento da visão e do olho humano. Esse conhecimento é necessário para a elaboração e planejamento de alguns dos meus próximos projetos fotográficos.

Relendo hoje o excelente livro “O Controle da Cor” de Alex Villegas encontrei um resumo das principais estruturas do olho humano no capítulo sobre a teoria das cores. De fato, achei que ele sintetizou tão bem que resolvi postar aqui este trecho. Fotógrafos técnicos e autorais certamente vão se interessar em entender o funcionamento da visão humana, pois este é o sentido que irá transmitir a nossa mensagem (imagens) para o destinatário final (cérebro).

Alex Villegas - O Controle da Cor - Estruturas do Olho - P85

A córnea e uma camada flexível, responsável pelo foco das imagens que vemos. sua curvatura é controlada pelos músculos ao redor do olho.

A íris é uma espécie de diafragma que controla a quantidade de luz que chega a retina.

O cristalino também ajuda no foco através de pequenos ajustes, mas sua função mais importante na visão das cores é agir como um filtro UV, evitando que ondas de alta energia* possam danificar a retina. Outro detalhe é que ele amarela com o tempo, reduzindo nossa percepção de azuis e verdes.

A retina é uma camada de células nervosas que forra o fundo do olho. Essas células, chamadas de fotorreceptoras, são diferenciadas em dois tipos, por seu formato e função, como cones e bastonetes.

Cones são usados nas luzes intensas, enquanto que os bastonetes são usados em baixas condições de luminosidade. O número de bastonetes no olho é bem maior do que o número de cones, a não ser em uma pequena depressão bem abaixo da retina chamada fóvea. Nela a concentração de cones é muito maior, e é o ponto de maior nitidez do olho.

Bastonetes são basicamente de um único tipo, mas os cones se dividem em três tipos, cada um respondendo melhor a diferentes comprimentos de onda, curtos, médios e longos. Pode-se associar estes comprimentos de onda no espectro, dizendo assim que há cones específicos paras cores vermelhas, verdes e azuis. E é a partir das cores vermelha, verde e azul, que formamos todas as demais cores do espectro visível em um sistema conhecido como “tricromacia”. Acredita-se também que, ao contrário dos cones que identificam as cores, os bastonetes enxergam apenas em preto e branco, uma das razões por serem de apenas um tipo.

Mas esta teoria não explicou satisfatoriamente o funcionamento do olho humano. Por esta razão, o cientista Ewald Hering desenvolveu no final do século XIX a teoria da oposição. Esta teoria diz que os componentes  da retina que distinguem a cor o fazem baseados em oposições entre vermelho/verde, azul/amarelo e claro/escuro. Mais tarde foi constatado que o olho humano usa de fato os dois sistemas em seu funcionamento. Enquanto que uma camada no fundo da retina fatia a luz visível em três comprimentos de onda (os cones), uma segunda camada cruza as informações fornecidas por eles e calcula a luminosidade e oposições.

Alex Villegas - O Controle da Cor - Retina - P89

*As cores podem ser medidas pelo comprimento de onda da luz que as transmite. As ondas de maior energia do espectro visível são tons de azuis, acima disso são as cores ultra-violetas que não enxergamos. As ondas de menor energia do espectro visível são os tons de vermelho, abaixo delas são os tons de infra-vermelho que também não enxergamos.

Fica aqui meu agradecimento ao fotógrafo Alex Villegas, autor do livro “O Controle da Cor” pela autorização de uso desta explicação. Obrigado!

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