3 Dicas Essenciais Para Exploração Urbana

Night Ride II

Night Ride II, Paris, 2013, Carlos Alexandre Pereira

Exploração urbana ou fotografia de rua? Eu acho que existe uma diferença sutil entre estes dois estilos. Pode ser bobagem da minha parte, mas eu vejo a fotografia de rua como um estilo fotográfico descompromissado, onde o fotógrafo passeia pelas ruas da cidade em busca de imagens interessantes para capturar. Não é à toa que um verbo muito usado para descrever o ato de fazer fotografia de rua é “flanar”.

Flanar: Caminhar sem destino certo. Andar sem rumo, de modo ocioso, sem coisas com as quais se preocupar. Ex: Precisava sair sem rumo, simplesmente, flanando. (Etmologia do francês: Flanêr)

Quem faz fotografia de rua, portanto, está apenas em busca de boas imagens, sem nenhum interesse especial pela cidade ou local em que está fotografando. Já a exploração urbana esclarece a diferença no próprio nome.

Explorar: Examinar, analisar, estudar, pesquisar.

Candle Lights

Candle Lights, Paris, 2013, Carlos Alexandre Pereira

Portanto, quando um fotógrafo sai para uma exploração urbana, não está apenas a procura de imagens interessantes para fotografar, mas também para conhecer melhor a cidade através da fotografia. Não é minha intenção advogar por um ou outro estilo. Ambos são úteis e cada um tem o seu momento. Mas acho importante esclarecer estas diferenças para que as dicas de exploração urbana que eu vou dar a seguir façam sentido.

Outro ponto importante: o tempo. Quanto tempo você dispõe para explorar a cidade? Se for a cidade em que mora, ou uma bem próxima, tem todo o tempo do mundo. Mas se for uma cidade distante que não é possível visitar a qualquer momento, então vai depender da duração da sua estadia. Aqui você já começa a perceber que estas dicas vão ser bem parecidas com a preparação para fotografia de viagem. E é verdade, são mesmo. Mas veja, o objetivo aqui é explorar a cidade através da fotografia, não fazer turismo. Bom, vamos as dicas:

Dica 1 – Inspire-se

Antes de qualquer coisa, pesquise por imagens da cidade. A ideia é buscar inspiração para produzir suas próprias imagens. Vendo o trabalho de outros fotógrafos, vamos criando uma espécie de repertório cultural sobre o assunto. É mais ou menos como ler toda a coleção de livros da Agatha Christie e do Conan Doyle antes de escrever um livro sobre mistério policial. A ideia não é copiar ou fazer diferente; o propósito é conhecer melhor o assunto, no caso a cidade, para poder decidir qual a linha de exploração.

Gray Times Memorial

Gray Times Memorial, Berlim, 2012, Carlos Alexandre Pereira

Dica 2 – Preparação

Vou partir do princípio que o tempo vai ser curto, em torno de uma semana mais ou menos, que é o mais comum. Nesse caso, a preparação antecipada é essencial para aproveitar ao máximo a estadia na cidade. O ideal é ter não um, mas vários roteiros que podem ser selecionados conforme as oportunidades ou dificuldades vão surgindo, tipo aqueles livros para crianças onde você pode decidir qual o próximo passo e com isso escolher o final.

Guias de viagem são úteis, mas a internet é sempre um bom começo. Pesquise no site da própria cidade; muitas delas possuem uma área específica para turismo com boas dicas de locais para conhecer e principalmente meios de transporte. Aliás, conhecer previamente as opções de transporte e decidir qual será usada e qual será a alternativa em caso de problemas é essencial, se não corre o risco de passar metade do tempo preso no trânsito ou em caminhadas intermináveis.

Newton Abbot's Train Station

Newton Abbot’s Train Station, Inglaterra, 2012, Carlos Alexandre Pereira

Escolha todos os pontos de interesse que desejar, certamente não será possível visitar todos, então uma triagem é necessária. Priorize todos os pontos e distribua os essenciais ao longo da duração da estadia; o ideal é um por dia. Verifique todas as providências que você precisa tomar para poder visitar estes pontos: meio de transporte para ir e voltar, horários de funcionamento, compra antecipada de ingresso, necessidade de autorização prévia para fotografar, tempo de duração da visita, etc. Quando tiver certeza que todos as providências necessárias para fotografar estes locais já foram verificadas e planejadas, passe para os pontos seguintes na lista de prioridades.

Normalmente evito planejar mais do que dois ou três pontos de interesse para o mesmo dia, e as vezes planejo apenas um, dependendo do local. Por exemplo, eu fiquei um dia inteiro explorando e fotografando tanto o Louvre quanto o British Museum, e mesmo assim foi muito pouco tempo. Já a torre Eiffel e o Arco do Triunfo eu consegui fotografar no mesmo dia; a torre de manhã, depois uma caminhada morro acima em direção ao arco, pausa para o almoço, arco de tarde, e ainda deu para aproveitar o fim de tarde e início da noite descendo a Champs-Élysées até a Place de la Concorde.

Stacked Doors

Stacked Doors, Berlim, 2012, Carlos Alexandre Pereira

Seja inteligente e planeje os pontos de interesse do mesmo dia de forma que um seja próximo do outro ou de fácil locomoção. Planeje também o horário em que vai visitar cada um, por exemplo; praias e mercados públicos de manhã para aproveitar o nascer do sol e também porque geralmente são mais movimentados nessa hora; parques, zoológicos e o centro da cidade na hora do almoço; e bares, restaurantes e teatros no início da noite, de novo por causa do pico de movimento; já locais fechados como museus podem ser visitados a qualquer hora. Não se esqueça de planejar os roteiros alternativos, assim no caso de chuva, problemas com o transporte ou qualquer outro imprevisto, você não irá perder seu tempo.

Tente planejar sua viagem para coincidir com festivais ou eventos que acontecem regularmente na cidade, como o carnaval no Brasil ou o Holi (Festival das Cores) na Índia. Também é importante verificar qual a melhor estação do ano para visitar a cidade; dias de sol ou neve têm seu encanto, uma chuva ocasional também ajuda a capturar imagens incríveis, mas uma semana inteira debaixo de chuvas fortes pode prejudicar bastante sua exploração.

O equipamento é um capítulo à parte no planejamento. Levar coisas de mais ou, pior ainda, de menos, pode resultar em uma oportunidade única perdida. Um tripé que não pode entrar no museu, a falta de uma lente específica ou uma bateria extra; tudo isso pode ser evitado com o planejamento adequado.

North Sight

North Sight, Paris, 2013, Carlos Alexandre Pereira

Dica 3 – Explorando

Você já pesquisou e estudou, agora precisa examinar e analisar. Saboreie o momento, conheça o local, não saia clicando desesperadamente em todas as direções. Dê uma volta, se afaste, veja o todo, se aproxime, preste atenção nos detalhes. Reconheça os pontos que você pesquisou e procure coisas novas que não apareceram na sua pesquisa. Converse com as pessoas no hotel, bares, restaurantes e outros lugares que visitar; peça informações e dicas. Não tenha medo de mudar seu planejamento se novas oportunidades surgirem, mas confirme com outras pessoas qualquer dica que receber para se assegurar de que não está entrando em nenhuma ‘furada’.

Tenha calma na hora de fotografar, analise o enquadramento, busque ângulos diferentes, aguarde o momento certo. Se precisar usar o tripé, use, foi para isso que você carregou ele até o local. Confira cada imagem que fizer para ter certeza que está tudo certo; se for preciso refazer a imagem, refaça, talvez você não tenha outra chance.

Palais du Luxembourg

Palais du Luxembourg, Paris, 2013, Carlos Alexandre Pereira

Se você usa uma DSLR, tenha uma câmera compacta ou um bom celular com câmera sempre a mão para fotografar enquanto estiver se deslocando ou fazendo uma pausa para descanso ou alimentação. Será seu momento de fotógrafo de rua, atento as oportunidades. Andar com uma DSLR na mão o tempo inteiro às vezes é perigoso, outras inviável, e com certeza é sempre cansativo.

Quando estiver fotografando arquitetura, não se fixe no todo, dê atenção também para os detalhes. Quando fotografar de pontos elevados experimente diferentes distâncias focais e faça imagens sequenciais para montar panoramas. Fique atento as pessoas ao seu redor, em lugares movimentados sempre há pessoas interessantes para fotografar. Evite o centro da cidade no período da tarde, os prédios altos desta região criam grandes áreas de sombra. Tome cuidado ao fotografar crianças ou em estações de metrô e aeroportos, na última década instaurou-se uma paranoia mundial em relação a segurança, em grande parte justificada.

Desembarque I

Desembarque I, São Paulo, 2013, Carlos Alexandre Pereira

Em museus não é permitido o uso de flash ou tripé, a iluminação geralmente é baixa e quase sempre os objetos expostos estão protegidos por vidro. O uso de filtros polarizadores para neutralizar o reflexo do vidro e um ISO alto são muito úteis nessa hora. Não se limite aos objetos expostos, muitas vezes a arquitetura do museu é o que há de mais interessante para fotografar.

Em parques e zoológicos há uma infinidade de assuntos interessantes; pessoas, animais, natureza, esculturas; mas não se perca na multidão, procure áreas menos congestionadas de vez em quando para poder ver o todo. Mercados públicos são locais incríveis, um dos meus favoritos, tem variedade de cores, cheiros, texturas, mas geralmente são também muito movimentados e apertados, sua teleobjetiva não vai nem sair da mochila. Eu sei que o cheiro não vai sair na foto, mas explore as cores e as texturas ao máximo. Converse com os vendedores, quase sempre eles são muito simpáticos!

Samosas

Samosas, Londres, 2013, Carlos Alexandre Pereira

De noite não fique com medo de subir o ISO, se você domina o uso do flash ótimo, mas nem sempre é possível usá-lo. A noite as pessoas se transformam e muitas vezes viram personagens incríveis, principalmente nas grandes metrópoles. As luzes da cidade se acendem e viram um espetáculo à parte, especialmente em parques de diversão, muito comuns em festivais de verão e de inverno.

E se cair uma chuva ou neve leves, não saia correndo ou entre no primeiro shopping que achar. Imagens na chuva ou na neve, quando feitas com cuidado, costumam ser incríveis. Mas lembre-se, um mar de guarda-chuvas do alto é legal, de baixo não se vê nada.

Aproveite o dia do início ao fim, saia cedo e volte tarde. Não perca tempo editando imagens, faça backups, guarde seus cartões de memória usados, prepare o equipamento para o dia seguinte e vá descansar. E principalmente, divirta-se!

Carlos Alexandre Pereira

Fotógrafo e autor de artigos sobre fotografia e viagens, interessado por expedições fotográficas e explorações urbanas, com uma preferência por fotografia P&B que se reflete no seu portfólio quase monocromático.

Landscape and travel photographer. Online/digital writer and publisher. Authorial photography educator. Fine art photography printer. Former Project Manager Professional. http://www.calexandrep.com

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